Afinal, para quê um controle de ponto? • Evartel

De cara, vamos começar relembrando a frase clássica de Jurassic Park: “Vocês estavam tão preocupados se poderiam que não pararam pra pensar se deveriam”.

Quando começamos a desenvolver a plataforma de gestão da Evartel, fizemos uma longa lista de funcionalidades que gostaríamos de ter. Algumas foram ficando obsoletas com maiores estudos do mercado, enquanto novas foram acrescentadas. Para nós, sempre era um desafio desenvolver uma função nova, e sempre parávamos para relembrar essa frase clássica citada anteriormente, nos assegurando que a nova funcionalidade era necessária.

A questão é muito mais simples do que parece. Não é uma questão de opinião. É fato. A lei sempre foi bastante clara: “é obrigatório um controle de ponto e frequência para qualquer empresa com mais de 10 funcionários, embora seja recomendado iniciar antes de atingir este patamar”. Recentemente, essa quantidade foi alterada para 20, mas o princípio foi mantido.

O controle de ponto é muito mais do que fiscalizar se os colaboradores estão fazendo X horas diárias. Já nos deparamos com comentários como “qual a necessidade de fazer o trabalhador se sentir como uma criança controlada na escola?”. Não faltam argumentos para refutar essa frase.

O registro diário da jornada de trabalho não é algo criado para beneficiar somente a empresa, mas também o trabalhador. Para algumas pessoas, passa batida a primeira parte da expressão direitos e deveres garantidos. Um registro correto da rotina do trabalho garante ao trabalhador a sua remuneração correta, compensação de horas extras, acúmulo de horas no banco de horas para serem descontadas em folgas, férias, e em última análise assegura uma jornada adequada e não abusiva.

A quantidade de processos trabalhistas dos colaboradores que afirmam que não receberam justamente, ou receberam incorretamente pelas horas trabalhadas, é assustadoramente maior em empresas que não realizam este tipo de controle. A Evartel garante, com transparência e praticidade, que os direitos e deveres estão sendo cumpridos por ambas as partes.

O futuro do trabalho é moldado em função do presente. Incontáveis empresas surgem semanalmente, comandadas pela força jovem que idealiza as relações trabalhistas baseadas mais na produtividade e nas entregas do que no tempo dedicado ao trabalho. Por outro lado, a própria Google, que foi uma das pioneiras nessa modalidade de jornada, remunera seus funcionários por hora de trabalho, e não pelos projetos finalizados. Muitas startups utilizam do pretexto da flexibilidade e da entrega para justificar horas extras extensas em departamentos de tecnologia, por exemplo, e se eximem da responsabilidade de remunerá-las. Observando os bons players nesse mercado, não é a falta do controle de horas que está tomando espaço, e sim o controle de horas flexibilizado, que permite sua contabilização em períodos variáveis e cumulativos ao invés de fixos. Ainda assim, bate-se o ponto.

A busca por oferecer vagas de emprego que se baseiam em entregas e flexibilidade é nobre e deve se popularizar, tornando-se modelo principal para vários cargos em diferentes modelos de empresas. No entanto, não podemos deixar de enxergar — e muito menos deixar de atender — as pessoas em funções que dependem especificamente das horas dedicadas ao posto para sua remuneração e cálculo do trabalho.

Profissões cuja hora de trabalho é essencial para o cálculo da remuneração:

      • Instalações físicas da construção civil (tempo de chegada, tempo de execução);
      • Atendimento em caixas físicos de lanchonetes, supermercados, padarias e comércios similares;
      • Motoristas (de aplicativo ou não), porteiros, jardineiros, cozinheiros, garçons;
      • Tradução, interpretação, revisão, edição, design gráfico, web design;
      • Prestação de serviços em sites nacionais e internacionais (gestão de grupos e comunidades, moderação);
      • Pilotos, comissários de bordo, agentes alfandegários, gerente de tráfego, cargueiros;
      • Atendentes de telemarketing, atendentes de HelpDesk, atendentes de assistência técnica;
      • Eletricistas, encanadores e pedreiros;
      • Guardas civis, policiais e seguranças;
      • Cuidadores, enfermeiros domiciliares, recepcionistas, concierges;
      • Plantonistas, enfermeiros e o pessoal da área de saúde em geral.

É conveniente considerar que em um mundo moderno, igualitário e criativo, todas as pessoas tenham flexibilidade em quando, como e onde vão trabalhar a todos os momentos, mas não são todas as áreas e especialidades que permitem esse tipo de cenário. Todas das profissões citadas acima, e algumas além, dependem do horário de entrada e saída, e muitas dessas profissões não têm prazo para deixarem de existir com o desenvolvimento tecnológico, automatização dos processos e a disrupção causada pelas startups.

Na análise entre remunerar pelo produzido vs. remunerar pelos pontos batidos, precisamos tomar o cuidado de não nos deixarmos levar por um pensamento utópico de uma sociedade em que o trabalho remunerado em função do tempo deixaria de existir em função da produtividade totalmente desconectada do tempo dispendido. Afinal, a própria análise da produtividade se dá em função do tempo necessário para a execução de projetos e metas. Dessa forma, estamos nos afastando da realidade e do conhecimento das funções mais básicas da sociedade, como por exemplo, o trabalho dos garis, quando só olhamos para a possibilidade do flexível.

É um sintoma grave dos trabalhadores jovens da bolha tecnológica no Brasil acreditarem que toda e qualquer função, toda e qualquer indústria, possam se adaptar rapidamente e incondicionalmente à proposta de trabalho oferecida pelas startups e coworkings de hoje. Há esse espaço, é legítimo, tem excelentes contribuições para o desenvolvimento do país e deve continuar crescendo e se adaptando, mas a observação das horas do trabalho sempre fará parte de algumas funções, e todas as startups ou empresas de coworking vão, em algum momento, precisar desse modelo de aferimento.

Na tentativa de atender a todo e qualquer público, a Evartel está desenvolvendo seu próprio “Relatório de Produtividade”, no qual são geradas estatísticas em função das horas trabalhadas, atrasos e assiduidade, ganhos e perdas em função da pontualidade, saldo do banco de horas, observações do gestor e classificação por produtividade do funcionário. Nas próximas semanas, a visualização deste relatório já estará disponível para os nossos clientes.

Em resumo, o controle de ponto não deve ser visto como algo rígido, obsoleto ou desnecessário no futuro do trabalho. Ele garante os direitos e deveres de ambas as partes, e é uma ferramenta de gestão que fornece informações relevantes para reuniões, diálogos e análises da produtividade de qualquer tipo de empresa, possibilitando eventuais correções e compensações que asseguram a remuneração justa do colaborador e a saúde financeira do negócio.